quarta-feira, 21 de novembro de 2012

“Carta do povo Munduruku para a sociedade brasileira sobre o ocorrido na aldeia Teles Pires”

Enviada pela Associação Indígena Pusuru


Dia 09 de novembro de 2012 a aldeia Teles-Pires do Povo Munduruku sofreu um ataque da polícia brasileira. Pegos de surpresa os indígenas viram homens armados se aproximando das aldeias. Os índios resolveram se aproximar e saber o que estava acontecendo. Ouviram então de um policial a ordem era explodir as balsas e dragas que haviam na região. Os índios pediram que não fizessem isso, pois era de onde a aldeia tirava algum sustento, com a comercialização e troca de produtos da roça para os garimpeiros.
Sem conseguir um diálogo com a policia os índios solicitaram que a polícia não tocasse em seus bens e nem no combustível que havia na aldeia, pois além de poluir o rio o combustível servia a comunidade. O policial que parecia comandar os outros concordou com essa proposta. Mas no dia seguinte os policiais não quiseram acordo e mandaram que todos voltassem correndo para a aldeia. Os índios recuaram, mas às 09:00h a aldeia foi invadida pela polícia, com helicóptero que disparava rajadas de tiros a esmo.
O cacique Baxixi acompanhado de seus guerreiros tentou dialogar com os invasores e um homem que se identificou como funcionário da Funai de Brasília e que acompanhava os policiais. Disse que a ordem era explodir tudo e passar por cima de quem se opusesse. Quando outros guerreiros se aproximaram os policiais começaram a disparar, colocando em pânico crianças e velhos. Um dos idosos estava sendo agredido quando um guerreiro atirou flechas nos policiais. Ele foi atingido por tiros e caiu no rio e depois um policial que comandava a operação atirou na cabeça do índio. Outros guerreiros reagiram com mais flechadas e o helicóptero iniciou a perseguição de mulheres e crianças pelos caminhos das roças. Muitas crianças acabaram se perdendo naquele momento dos pais. Depois disso tudo a policia ainda atirou bombas no local do rio em que o índio foi morto.
A policia começou a invadir as casas das aldeias e a destruir o que encontrava, muitos índios que fizeram filmagens da operação com seus celulares tiveram os aparelhos apreendidos e destruídos.
Aqueles que não conseguiram fugir pro mato foram separados na aldeia, homens mulheres e crianças muito assustados. As mulheres foram muito ofendidas pela polícia.
Este é o relato resumido do que foram aquelas horas de terror na aldeia e que depois foram descritos na Câmara de Vereadores de Jacareacanga.
Nós povos indígenas da etnia Munduruku não aceitamos ser tratados desse jeito. Este não é o primeiro ataque do governo aos nossos direitos. Sabemos que há no congresso nacional a proposta de emenda constitucional 215, a proposta emenda constituição PEC 215. Porque vai prejudica muitas relações em nossa gestão de territórios do povo Munduruku. A AGU quer publicar a portaria 303 que retira nossos direitos e que há outro sem número de propostas no congresso nacional que querem tirar nossa autonomia e nosso território.
Sabemos de nossos direitos, sabemos que a constituição nos protege e que outras leis internacionais que o Brasil assinou também nos protegem, como a convenção 169 da OIT. Porque o governo federal não respeita os direitos dos povos indígenas do Brasil? Esta terra é nossa por isso nós temos direitos de reclamar e defender, porque nós somos donos dessa terral, hoje o governo está querendo tomar nossos territórios o governo está violentando as leis. Agora estamos vendo a pressão que está sendo feita por representantes dos interesses das mineradoras, junto ao congresso nacional, para encaminhar leis que regularizem a exploração de minério em terras tradicionais dos povos indígenas.
O Governo quer construir hidrelétricas em nossas terras e pra isso acha que vai nos intimidar. Nós somos um povo que quer paz e na paz somos bons amigos. Mas se nos querem como inimigos, seremos muito melhores.

Pedimos à sociedade que nos apoie em nossa luta!

CIMAT: conselho indígena mundurucu do alto tapajós

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